Por debaixo da máscara


Esse texto de hoje contém erotismo, sexo, violência, podridão e é uma denúncia pública à nossa sociedade, que tenta esconder assassinos, bandidos e toda a série de seres inescrupulosos atrás do nome "deus"

 

Infelizmente, até meu marido não sabe de coisas que eu vou escrever aqui. Ele saberá junto com vocês, e não entendam como falta de parceria. Infelizmente cada um tem seu estigma particular, e esse é o meu.

Apesar que eu acredito que ele me conheça até melhor que eu.

 

Ele começa mal, mas eu prometo que termina bem!

O Ano de 2019, que começou bem já apresentou desafios...

 

Precisei encarar de frente alguns fantasmas pessoais, ressignificar algumas dores e refletir muito para ter certeza que estou no caminho certo. Muitos que me olham acreditam ver uma Dama de Espadas forte, decidida, corajosa e que não liga à mínima para opinião alheia. Contudo, eu sou uma pessoa que por muito sofreu de "Síndrome de Estocolmo". 

Desde pequena fui coagida por pessoas próximas à me sentir satisfeita recebendo o mínimo. Mínimo de afeto, mínimo de elogio, mínimo de incentivo e principalmente, mínimo de apoio real. Já criou um cachorro vira-lata e deu a ele pouco carinho? Ele se joga aos seus pés em um ato frenético e desenfreado com o intuito de lhe chamar atenção. Lambe seus pés enquanto você anda, abana o rabo mesmo quando você não está olhando e ainda sim está ali, decidido a defender seus donos pela morte, mesmo com o pouco ou nada de carinho. Ele é fiel? Não. Escravo! E seres vivos em situação de carência extrema se sujeitam à um cônjuge violento, uma madrasta possessiva e uma perda total de identidade. Você não enxerga além, como refém de uma longa escravidão. Acredita que não haverá nada melhor para você, ainda mais caminhando quarenta anos pelo deserto atrás da terra prometida. Sua cultura é de escravidão, por mais que você seja livre.

 

Quando eu decidi fundar a Voluptas, sabia do que estava por vir... E sabia que não seria fácil. Nossa sociedade heteronormativa monogâmica nunca aceitou pessoas out padrões e eu com certeza não fugiria da regra. Para a grande maioria ou quase em toda a totalidade, o conforto do anonimato é algo realmente seguro. Mas para nós, que estamos a frente de toda a sociedade, não há essa opção. Alguém tem que assumir!

Decidir me expor em prol da luta que eu acredito iria me trazer consequências. Por menos que isso, mulheres foram queimadas como bruxas na fogueira... Eu já podia imaginar o que estaria por vir.

 

Essa semana uma colega do Cínicas, Sabrina Bittencourt, também colunista junto comigo, foi declarada suicida após receber ameaças de quadrilhas por ter denunciado João de deus. Ela foi abusada dos 6 aos 16 anos e engravidou de um dos líderes religiosos que abusaram dela. Um dos! (               silêncio            )

Ela não se matou... "Mataram ela"! Esse sistema hipócrita, corrupto e assassino que permite que imundos se escondam em baixo de vestes consideradas "santas", escondendo o mais sujo de todos os tempos. A imoralidade social que move a sociedade atual nos pilares do chamado "bom testemunho".  Ela se foi hoje... amanhã pode ser um de nós! Pode ser eu... Porque a sociedade não aceita quem vive diferente de seus padrões. E não vai me aceitar! E se eu tiver que lutar até à morte para ser livre, eu vou! Tentem me calar!

 

E nesse "tentem me calar", ouvi que sou uma vergonha. Uma correspondente do pecado, uma destruidora do bom testemunho e dos perfeitos pilares de criação de uma boa família. Tive meu poder materno questionado, meu conceito desmoralizado e tudo o que eu acredito ser transformado à apenas desvio de conduta, imoralidade sexual e a mais clara e transparente "putaria". Por um ato de desespero eu tive vontade de acabar com tudo... Pausei minhas contas nas redes sociais e quis deletar meus textos. Por mais uma vez meu espirito de escravidão me assombrava e me jogava na cara que por mais que andasse no deserto, eu jamais entraria na terra prometida. Ele me dizia enquanto eu rangia os dentes e me revirava na cama que eu não era digna de acreditar em mim. 

 

O bom da Voluptas é que realmente reunimos pessoas incríveis...

Foram muitas mensagens de carinho, apoio e um feedback de todos aqueles que vamos acompanhando ao longo do tempo. Uma história mais "fodástica" que a outra, de casais e singles se superando emocionalmente através de todo apoio que tentamos até meio desajeitados oferecer. Esse é o meu chamado e é por ele que eu vou continuar lutando! Eu decidi que eu não serei mais escrava da opinião alheia nem de meus antigos dogmas. Eu vou pra frente! Aconteça o que acontecer, afinal eu sou dona de minhas escolhas! E se elas me orgulham, deve bastar. Eu sou movida por uma repreensão diária. Eu viveria comigo? A resposta me diz que caminho seguir.

 

Eu tive experiências incríveis, e não estranhem eu não escrever "nós" me referindo ao Edgar. Esse texto realmente é sobre mim.

 

Quando decidimos juntos embarcar no meio liberal apesar do medo eu estava excitadíssima com a idéia de transar com mais de um homem e ter experiências lésbicas. O tesão não cabia dentro de mim. Eu chegava a morder os lábios enquanto estava no transito fantasiando e pensando na possibilidade de realizar todas essas fantasias.

Mas como eu iria me sentir no fim das contas? Como eu seria julgada por minhas crenças e como ficaria minha relação como mãe, profissional e principalmente "boa esposa".