Porque nem os dedos são iguais.

E por que definimos o meio liberal entre ações, deveres, vertentes e protocolos?

Postei hoje em meu twitter a seguinte frase: Ser swinger é viver um lifestyle  com suas próprias definições. Não existe regra para ser swinger, senão o consenso e a felicidade. Não é ser ou fazer o que todo mundo faz. É viver sua própria história de prazer!

 

Quando comecei minha jornada liberal, tínhamos uma certa tendência a seguir determinados padrões, o que parece de certo incoerente, afinal, foi a fuga dos padrões que nos levaram a viver tais experiências. Seguir ações de outras pessoas nos faz ficar doentes emocionalmente pois passamos a acreditar que somos incapazes de atingir o tão sonhado sucesso sexual. Você passa a comparar seu desempenho sexual aos demais e se frustra, achando que algo não está certo com você ou que você não nasceu para aquilo. E realmente isso pode não ser para você, pois a fórmula que deu, ou dá certo pra mim, raríssimas vezes vai dar certo para você. Até por isso acho curioso quando me escrevem dizendo que sou um norte no meio liberal. Porém, me seguir ou fazer das minhas palavras regras, quase uma prece, não está correto. Você pode sim usá-las como referência, mas cada um trilhará sua própria história.

 

Muitos casais experientes são até mais confusos que casais iniciantes. Os iniciantes estão abertos à possibilidades ou ao desconhecido. Os experientes já assumiram sua postura no meio liberal e defendem muitas vezes seu ponto de vista como verdade absoluta da representação e da definição do que representa o meio liberal hoje. Imagina a catástrofe que é, casais iniciantes serem orientados por pessoas assim? Geraremos uma cadeia de padrões na sociedade swinger, quando na realidade deveríamos estar lutando contra qualquer tipo de imposição.

 

Então não existem rótulos? Não deveria, pelo menos. O que existe é a diversidade de práticas, que já foram denominadas por pessoas adeptas  dessas vertentes e que se reconhecem por essas afinidades. Se eu definir hoje, que gosto de algo que não é comum entre os liberais, eu estarei então criando uma nova vertente e isso não me exclui da comunidade de forma alguma. Afinal, a comunidade liberal, e não digo só com referência a Voluptas, é mais abrangente do que podemos imaginar. Falamos sobre universo liberal e algumas pessoas experientes ainda se chocam quando alguém diz que é cuckold, só faz bi feminino, só faz bi masculino, como se nos acarretasse algum tipo de obrigação de troca de casais e como se swing fosse somente troca de casais. 

 

Para que possamos entender algumas das práticas mais comuns no meio liberal, vou falar em separado sobre elas.

 

Menage à Trois ( Feminino e Masculino)

A maioria de nós conhece o tão famoso sexo a três. O que a maioria desconhece, é que optar por um ménage masculino ou feminino não determina que alguém faz isso porque @ parceir@ impõe. Muitas vezes li e ouvi pessoas comentando que mulheres que só fazem bi feminino, o fazem porque seus parceiros as impedem de ter relações com outros homens.  Da mesma forma o bi masculino. Oi? Generalização manda um abraço!

Você já parou para pensar que a própria pessoa tem suas definições e já decidiu o que gosta ou não, e junto com @ parceir@ chegou em um consenso na busca da felicidade e do prazer? 

A única pessoa que você deve satisfação é a pessoa que está com você durante suas experiências. As demais devem apenas respeitar, se incluir ou não. O casal que desejar se relacionar com outro casal que opta somente por bi feminino ou masculino, deverá entender e respeitar que o acordo feito antes do encontro não será mudado. Não adianta você ir pensando "na hora eu faço mudar de idéia", ou "aos poucos vou convencendo". Você vai se frustrar e frustrar quem está com você. Se você sabe através das muitas conversas que tiveram antes de decidirem se relacionar (ou pelo menos deveriam ter tido essas conversas), que existem preferências já estabelecidas, não ache você, que com seu sorriso lindo, vai mudar um acordo que já dá certo entre eles. Desculpe o termo que eu vou usar. Fazendo isso você vai parecer um(a) "amante adúlter@", movido e direcionado a invadir a felicidade de um casal, na busca do próprio prazer. Dar liberdade para o casal bi feminino ou masculino, opte por outras experiências, deve ser o passo mais natural. Jamais induzi-los à isso. Algumas vezes, que o Ed e eu, nos comportamos como "amantes adúlteros", afinal somos humanos e também erramos, nos fez entender o quanto invadir a privacidade alheia é pecado. Sim, vou tratar a privacidade como sagrada.

 

Cuckold/Hotwife

Pessoas que optam por ver seu parceiro em aventuras sem estar presentes, sentem tanto prazer como aquele que decidiu ter experiências somente acompanhado. A emoção de ouvir o relato, sentir a empolgação da experiencia e receber fotos e videos ao vivo enquanto a transa acontece é algo surreal. Pode não agradar a maioria, mas não deixa de ser tão prazeiroso como o próprio ato em si.

 

Em pleno 2019 eu escuto: -Nossa, mas sair sozinh@? @ parceir@ deixa?

Como assim deixar? Não estamos em fase pré escolar. Ninguém deixa ninguém fazer determinada coisa. Juntos vivemos nossas experiências de prazer que nos motiva a ser cada vezes mais felizes com nossa sexualidade como casal.

Destaque para frases horripilantes que eu li nesse último mês:

 

"Eu não saio com mulher que o marido é cuckold. Ela quer o meu marido, e não quer me dar o dela"

Como de swing fosse um escambo. Você tivesse que dar algo e receber algo em troca.

 

"Engraçadinha ela né? Quer fazer tudo no meio liberal e deixar o marido olhando"

Como se essa mulher fosse egoísta ao invés de ter decidido junto com o parceiro o que mais dá prazer a eles.

 

Um casal que vive isso tem tamanha confiança no outro, que vibra e sente prazer pelas experiências que @ parceir@ está vivendo. Isso não os faz menos ou mais fiel. Os torna decididos naquilo que lhe dá prazer.