Doce Veneza…

 

 

 

No último volume uma sirene incômoda tocou...

Ao som do poema declamado de Clarice Lispector: Se eu fosse eu, os casais e singles da Voluptas se reuniam na sala da mansão.

Eu entrei e sentei no braço do sofá refletindo cada palavra que saía pelo som, alto é claro, que tomava os arredores da represa.

E dizia: "Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo, mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR.

 

E não me sinto bem… Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um certo constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

 

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

 

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu, e confiaria o futuro, ao futuro.

 

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

 

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo e a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também, seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria tão pura e legítima que mal posso adivinhar. Não; acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante de tudo o que é grande demais"

 

Todos em silêncio tentando entender o motivo de estarem ouvindo algo que de certa forma os tira da zona de conforto; será que alguém se colocou nesse lugar de fala? Será que alguém chegou a se questionar: Quem eu seria, se eu fosse eu?

 

Lulu desceu as escadas semi nua no término do poema ao som de Chandelier. Todos abriam espaço para sua entrada, e então, como que se tivéssemos ensaiado, dançamos. Ela me beijou na boca e eu pensei, que se eu fosse realmente eu, não me importaria de me entregar para alguém que é oposto de mim; nem teria mais vergonha de ser como sou. Se eu sou grande demais para ser levantada, então eu que levantarei! Coloquei ela em meu colo como faria um homem, mas sem perder a sensualidade feminina que temos; nos beijamos.

Ela passou a caminhar lentamente entre as pessoas e desceu até a piscina. Lá esperava seu esposo com as tochas acesas, e finalmente, ela nos presenteou com um belíssimo espetáculo que fazia o fogo refletir na piscina, na represa e em nossos corações.

 

Nesse momento eu lembrei do poema: se eu fosse eu, eu não teria vergonha de ser como eu sou. Foi então que eu fui até a beira da piscina enquanto todos da Voluptas que ali estavam me olhavam, e tirei toda minha roupa; o mais surpreendente de tudo isso é que eu o fiz sem ver o rosto e a expressão de ninguém, pois em minha direção havia um forte holofote que iluminava a piscina de azul. Naquele momento eu não pensei que estivessem olhando ao desagradável, ou quem sabe surpresos. Até admirados… eu simplesmente não vi. O que importava era que naquele momento, eu finalmente pude ser eu!

 

Olhei pra cima e vendo a silhueta de mais de 180 pessoas gritei com a maior força do meu pulmão:

 - Vocês podem deixar de sentir vergonha de quem são? Vocês podem passar a dar mais valor a vocês?

E quando o som deu sua última batida, eu mergulhei nua na piscina da mansão aos gritos de todos. Naquele momento eu não ouvia mais " Ca-mi-la, Ca-mi-la"...

Eu ouvia só o som da minha cabeça; aquele ruído que fazemos internamente quando estamos submersos… eu mergulhava para o novo e para o desconhecido. Eu fiz, pois se eu fosse eu, eu entregaria o futuro ao futuro! Atravessei a piscina nua com todos ao meu redor.

 

Quando finalmente emergi estava rodeada de amigos, admiradores e também de um certo medo do desconhecido. Algumas pessoas não suportaram e se foram; poucas. Esse é aquele certo pudor que Clarice disse, diante de tudo que é grande demais! Nem todos estão preparados para isso.

 

Como em todas as festas da Voluptas há sempre uma parcela mínima que vai embora a meia noite. Uns por estarem confusos com relação às próprias idealizações, outros por estarem em conflito, outros por ciúmes e alguns pois acham que somos como uma casa de swing; a falta de sexo imediatista os frustra. Mas claro, isso é só o que eu acho. Pode ser que simplesmente não tenham gostado… e até isso faz parte! De cento e oitenta pessoas, dez se foram, então não tem estamos mal! A festa seguia… 

 

Quem chegou depois do show não entendeu nada ao me ver de toalha no meio da festa, inclusive no momento que fui na entrada falar com meu segurança. Um casal me contou rindo, o espanto do Uber ao ver todos na entrada vestidos a rigor e eu de toalha com a maior "cara lavada": - Bem vindos!

Realmente ele deve ter ficado confuso; coitado. Vai passar a vida tentando entender. rsrs

 

Fomos do crepúsculo à aurora literalmente! Foram doze horas ininterruptas de festa. Dessa vez a luz piscou, mas a senha da festa era: temos gerador! A luz podia acabar pois não estávamos lá pra deixar que nada estragasse nossa noite. Apesar de horas antes da festa eu quase ter quebrado a perna quando fui coordenar as tarefas na área da piscina; uma torção e eu me estabaquei no chão! Ed e o dono da casa correram para me ajudar e colocaram gelo no meu tornozelo. A dor realmente estava forte mas eu não podia permitir que nada nos abalasse naquele momento. Fiquei com um saco de gelo no pé por algumas horas tentando melhorar para a noite e passei a festa mancando com uma dor bem incômoda, mas até que me saí bem. Dei até umas reboladas na pista de dança.

Infelizmente distendi os nervos no meu tornozelo! Torçamos para que melhore rápido pois vida de mãe e esposa não é muito tranquila…

Pois é! Não é fácil fazer uma festa da Voluptas. Como disse o Casal Daife rindo antes de ir embora: - Todo mundo vem aqui pra “fuder”, mas quem se fode mesmo é você! rsrs "faze u quê né?" Sigo rindo...

 

Durante a festa voltei para a piscina e em seguida veio o Ed. Fizemos amor a luz do luar como se estivéssemos a sós em uma lua de mel; foi memorável! Os quartos tomavam forma com ménages femininos e masculinos, mesmo ambiente e grupal. Rolou sexo e descobertas a noite toda de uma boa parcela. Quem não quis ir para as áreas de interação se entregou a amizade, a dança e as risadas. Até eu me joguei na brincadeira... Ed e eu fizemos um ménage com um single muito legal que ia pela primeira vez na festa. Ele soube chegar, conversou da forma certa e nos instigou para algo mais. Porque é tão difícil para alguns singles entenderem que isso que faz a verdadeira diferença?

 

Um outro single estava de tirar o fôlego com aquela máscara de Veneza e a capa que o Tom Cruise usou no filme "De olhos bem fechados"; eu tive que beijá-lo! Aliás que beijo… quero mais! #ficadica

 

Foram realmente inúmeras partes boas. Todos na maior sintonia, veteranos e iniciantes, brindando aquela noite deliciosa de Carnevale!

 

Quando a noite começava a ir embora, tomamos um café da manhã juntos. Já imagino como será gostoso fazermos isso no Fall...in love em Monte Verde!

 

Avicii tocando e alguns casais e singles foram a beira da represa assistir o nascer do sol que chegava majestoso. Víamos somente suas silhuetas sentados e abraçados recebendo aquele afago do calor da manhã… que memória teremos! Quando eu achei que finalmente ia descansar, uma turma de veteranos com um casal iniciante na Voluptas, resolveram recomeçar a festa. E lá vamos nós!!! rs

Era 10:30 da manhã e estávamos todos na beira da piscina… Sono me define! rsrs

 

Espero que tenham gostado, espero que tenham se realizado, mas espero mais ai