Antes do meu atual casamento, que é muito feliz diga-se de passagem, tive um relacionamento totalmente destrutivo. Sofri violência doméstica e gaslighting por 3 anos, divindindo minha vida com alguém que acredita até hoje que o sexo é pecado. Eu era o reflexo da frustração dele, e por esse motivo ele me bateu em nossa lua de mel.

O abuso psicológico era tanto que perdi todas minhas referências, passando a permitir que ele fizesse comigo tudo o que eu disse que já mais permitiria. Tinha medo de denunciá-lo e medo de ser julgada, principalmente no meio em que vivíamos.

Haviam sinais antes do casamento, mas que foram ignorados em nome da carência, da solidão, da baixa auto estima e desse padrão de beleza que a gente afirma pra si que não se importa, mas que no fundo te faz ficar ao lado de uma pessoa que diz todo dia que você nunca será boa o suficiente. Fui ensinada que a "mulher sábia edifica o seu lar". Eu edifiquei, ficando calada; um pilar bem alto para ele se postar. Um trono de escravidão de quase três anos.

Um trono do "Sim, Senhor!"

Casados, com uma vida social à preservar como qualquer outro casal e com mais algumas milhas percorridas.

Ela conta...

Walk a mile in my shoes...

Atribuo a culpa do medo, do silêncio, da insegurança e de tudo o que vivi ao lado dele a algumas obrigações que vamos nos atribuindo ao longo da vida. Desde cedo aprendi que tinha o dever de amar as pessoas mesmo que elas não fossem recíprocas; fui institucionalizada a aceitar e achar normal receber críticas em cima de críticas. Ouvia que deveria emagrecer, alisar o cabelo, ser loira, ser educada, não fumar, não namorar, etc.  Quando finalmente me libertei de toda opressão que vivia em meu antigo casamento, estava totalmente machucada emocionalmente e sem libido. Me achava gorda demais, feia demais e fraca demais, mesmo ouvindo a cada segundo do meu atual esposo o quanto eu sou desejável. Nosso começo de relacionamento foi um terror! Eu queria puni-lo por um passado que só eu vivi. Achava que ele ficava comigo por pena ou pelo próprio amor e companheirismo. Aos poucos ele me curou com muita paciência, me fazendo enxergar como eu realmente sou. Acredito que até melhor, pois ele passou a conhecer alguém muito mais feliz!

Sempre fomos amigos e acompanhamos a vida um do outro, porém, tanto ele como eu estávamos presos à paradigmas, dogmas e tabus que nos impediram de ficar juntos. Apesar de nos conhecermos muito bem, não sabíamos totalmente quem éramos e não sabíamos também as verdades de nossas mentiras de toda uma vida. É muito difícil assumir quem você realmente é e o que gosta, principalmente quando se foi doutrinado a achar que maioria desses instintos primitivos seja um erro.

Começamos um processo de desconstrução, passando a conhecer quem realmente éramos e revelando um ao outro nossos desejos e fraquezas. A única coisa que podíamos fazer era confiar um no outro, pois precisávamos de nós! Ao estarmos dispostos a ouvir nossos segredos sem julgamentos, passamos a ter mais confiança e um relacionamento mais sadio. Hoje as pessoas me dizem que não entendem como eu não sinto ciúmes ao participar do mundo liberal com o Edgar. Ouço constantemente que o amor pelo parceiro ou pela parceira é tanto, que é inimaginável ver outra pessoa interagindo com eles. Minha resposta é sempre a mesma: - Viver o mundo liberal não tem a ver com o amor que sentem um pelo outro, mas sim com o tipo de relação que vivem - o tipo de confiança que tem um no outro. O mundo liberal só é possível, de forma saudável, em relações onde o pilar principal é a confiança.

Quando chegamos no ápice da confiança e cumplicidade nos permitimos viver novas experiência, e como o tesão aumentou, a liberdade trouxe as fantasias. Após alguns anos de voyeurismo e muito diálogo começamos a viver tudo o que tínhamos direito!

Simplesmente

Da Volúpia à Voluptas!

Fizemos muitos amigos em nossas experiências, o que levou alguns casais nos procurarem para tirar dúvidas e receber orientações de como funciona esse universo, que a princípio assusta bastante. Iniciamos muitos casais também, pois sempre tivemos paciência e respeito pelos limites de cada um, até por nossa própria história de vida.

Quem inicia no universo liberal, infelizmente, não encontra facilmente opções glamurosas ou de bom nível.

Resolvemos então unir gente de bom nível cultural, empatia e respeito, para ajudá-los a realizar as suas fantasias de uma forma mais segura e tranquila, além de também nos proporcionar o ambiente e a oportunidade que sempre desejávamos para o sexo liberal. A Voluptas não é nosso sustento, pois estamos muito bem estabelecidos. A Voluptas é nosso Fetiche; esse é o maior motivo de seu sucesso.

Não sendo algo que vai contra os princípios de respeito à vida, acreditamos que todos devam realizar suas fantasias. Muito provavelmente, se meu ex marido tivesse essa liberdade, não teria se casado comigo e não teríamos sido tão infelizes juntos.

Precisávamos de algo que fosse diferencial daquilo que eu conhecia com meu esposo. Quando começamos a frequentar baladas liberais, enfrentamos alguns desafios por causa de nossa inexperiência. Muitos singles vão acompanhados de garotas de programa para pagarem um valor menor de entrada, o que pode não ser muito legal para casais iniciantes. Meu esposo nunca chegou perto de contratar os serviços de uma garota de programa, tampouco eu. Não por preconceito, pois acreditamos que cada um busca realizar seus desejos da forma que bem quer, mas porque a idéia de pagar alguém não nos atrai. E foi justamente assim que aconteceu a nossa primeira experiência no mundo liberal: nos roubaram o direito de escolha de vivenciar a experiência da forma que idealizávamos.

Começamos a interagir com um casal que chamamos de "Casal de Ocasião" ou "Casal Fake". Aparentemente pareciam um casal comum, porém ela era uma profissional do sexo bem conhecida nas casas de swing. Chegamos inclusive a vê-la diversas vezes com outros homens na mesma casa. Ao descobrir, ficamos tristes e nos sentimos ingênuos, afinal, não era essa nossa intenção. Se fosse para ter contato com profissionais, que fossem ao menos de nossa escolha e conscientemente. Só de lembrar as palavras daquele homem no meu ouvido durante o sexo, sinto raiva.

Já com experiência, de longe sabíamos quem era casal fake e quem não era. Eu ficava indignada quando via um casal iniciante passar pelo mesmo que nós e as vezes que não conseguia alertá-los, lamentava o fato de terem tantos iniciantes despreparados em nosso meio, por não encontrarem apoio e pelo próprio tabu de falarem sobre seus sentimentos.

Sejamos sinceros: como e onde podemos tirar essas dúvidas?

Corremos o risco de perder uma amizade de anos pelo simples fato de dizermos que participamos do meio liberal. Os julgamentos são rasos e na maioria das vezes o homem acaba sendo visto como "corno" e a mulher como "vagabunda". Ouvi frases duras das pessoas que eu mais desejava receber apoio, e recebi apoio de pessoas que nunca imaginei, como de minha mãe, por exemplo. Sempre fomos parceiras em tudo, mas ouvir que ela sente orgulho de tudo o que fizemos é hors concours!

Descobrimos também que muitos dos casais que não eram fakes não tinham total comprometimento. Apenas um dos dois queria realmente estar ali. Pessoas que arrastam seus parceiros e que por medo de perdê-los vão no intuito de manter seus casamentos. Acaba sendo frustrante e triste ao mesmo tempo, pois estar com um casal mal decidido em um momento tão delicado, pode gerar um trauma entre todos para sempre e até um fim do relacionamento. Não tem coisa melhor que estarmos em um lugar onde todos se sentem livres e comprometidos. Por esse motivo comecei a fazer reuniões  e rodas de conversas para ajudá-los a se entender, antes de irem para a prática. Foi evoluindo e tornou-se palestras mensais que faço em parceria com o Sexlog e o Cínicas, onde sou colunista.

Em alguns encontros que fazemos, reservamos um espaço somente para quem gosta de sexo no mesmo ambiente sem interação, para dar aos casais iniciantes uma oportunidade de perceberem seus próprios limites, sem que corram riscos desnecessários. Eles se sentem tranquilos em dar o primeiro passo nesse ambiente, pois é proibido o toque em parceiros diferentes. O clima é tão gostoso que tudo acontece de forma natural, e se não acontece, todos curtem a noite, pois não estamos lá somente para transar, mas também para conversar e dividir experiências.

Em minhas palestras eu sempre digo: -Não existe nível de "swinger". Você não começa voyeur e termina com dez pessoas em sua cama. Cada um "é o que é, e gosta do que gosta". Você pode mudar depois de experimentar "novos sabores" e enfrentar novos desafios, mas alguns descobrem que não precisam ou não devem mais se aventurar. O importante é que todos sempre entrem em consenso e se ajudem a seguir adiante. Precisamos promover a desdogmatização do prazer! 

 

Nos deparamos com a necessidade de criar o Security Card, para evitar justamente o que não gostamos nas baladas liberais, que é a presença de singles acompanhados de profissionais do sexo. Uma outra coisa que incomodava bastante é não sabermos quem eram aquelas pessoas. Podíamos estar tendo interação com uma pessoa que estivesse, por exemplo, sido condenada por algum crime hediondo, como estupro, pedofilia ou assassinato.

Não ter processo criminal pode ser ponto positivo, mas não é garantia, obviamente, de boas intenções. Quem deseja fazer parte de nossa sociedade terá que passar pelo processo de avaliação e aprovação. Não abrimos mão disso e não há exceções. Nossos amigos pessoais passam pelo mesmo processo, sem privilégios. Mantemos todos os membros anônimos e seus dados em sigilo. Esse protocolo aumenta a segurança, além de impedir que menores tenham acesso a nossos eventos.

Nossa idéia é ter uma noite de mistério, fetiche e sensualidade. Com essas medidas de segurança, evitamos que casais decididos e felizes tenham contato com pessoas que não merecem interagir, pois não agem com transparência. A entrega de um casal no meio liberal é um passo muito importante, que expõe toda magia, união e respeito que ambos tem, um pelo outro. Não podemos, por anseio de ter mais membros entre nós, deixar de fazer nossa mínima parte.

Algumas pessoas não entendem o conceito da Voluptas, e eu até acho propício: acaba sendo um filtro natural entre pessoas que buscam sexo por sexo e pessoas que o entendem o sexo como uma consequência de muito outras coisas boas. Só entende quem tem que fazer parte.

Permita-se ser o que você sempre desejou!

Deseje aquilo que você nunca se permitiu!

Eu posso até ser chamada de "vagabunda", mas ao menos eu vou ser uma vagabunda realizada, pois no fim das contas, vão me julgar de uma forma ou outra, como sempre fizeram.

Hoje, grande parte das pessoas carrega frustração e infelicidade, por não realizar suas fantasias devido ao tabu que nossa sociedade vive, em relação ao sexo, a poligamia e desejos que são considerados "pecado". Muitos os que condenam e criticam os liberais, em oculto fazem tudo o que fazemos ou até mais. 

Criamos a Voluptas para mudar a forma que as pessoas encaram suas relações sexuais. Sou uma mulher Plus Size, que depois de vivenciar todas essas experiências, aprendi de fato a aceitar meu próprio corpo e pude perceber como eu realmente sou sensual e capaz de satisfazer quem estiver comigo.

Realizamos todos os nossos desejos e passamos a enxergar que cada pessoa se enquadra no desejo e no ideal de alguém!

Todos somos desejáveis! Precisamos parar de colocar as "tampas erradas nas panelas" ao invés de achar que todo mundo é obrigado a gostar das mesmas coisas que gostamos.

 

Nem passiva, nem ativa; recíproca! Dêem para os outros aquilo que esperam receber.

​​​​​​​Desejamos sinceramente que todos aqueles com a mesma intenção que meu esposo e eu, se juntem a nós.

Cito Leon Tolstói para finalizar. "Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não

é um fim, mas uma consequência."

Abraços e uma volúpia intensa para vocês!

Camila & Edgar

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